Um dos desafios centrais para garantir a sustentabilidade dos biocombustíveis é a chamada Mudança Indireta no Uso da Terra, conhecida como ILUC (Indirect Land Use Change).
Esse fenômeno pode comprometer os benefícios ambientais dos biocombustíveis e influenciar sua aceitação em mercados internacionais. Apesar da relevância do tema, ainda não existe consenso entre cientistas e órgãos regulatórios sobre a melhor forma de lidar com ele.
Sustentabilidade dos biocombustíveis

Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, Agroicone e Unicamp publicaram um artigo científico apresentando uma proposta inovadora para enfrentar o risco de ILUC.
Organismos internacionais, como a Organização Marítima Internacional (IMO) e a Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), têm discutido alternativas para tratar o ILUC em combustíveis sustentáveis para aviação e navegação.
Uma das estratégias cada vez mais consideradas é a gestão de risco, em vez de depender apenas de fatores de quantificação de ILUC.
Biocombustíveis como etanol e biodiesel são fundamentais para reduzir emissões nos setores de transporte aéreo e marítimo, áreas difíceis de descarbonizar com outras tecnologias. Porém, seu potencial climático depende de um ciclo de produção verdadeiramente sustentável, com emissões de gases de efeito estufa (GEE) significativamente menores que os combustíveis fósseis.
Produção de biocombustíveis

A produção de biocombustíveis demanda grandes áreas agrícolas para culturas como cana, milho e soja. Quando essas áreas substituem florestas ou outras terras produtivas, ocorre a mudança de uso da terra (LUC), que pode gerar emissões maiores que as dos combustíveis fósseis, anulando os benefícios climáticos esperados.
A LUC pode ser direta (DLUC) ou indireta (ILUC). A DLUC ocorre quando a expansão agrícola substitui diretamente outro uso da terra, como pastagem ou floresta.
Já a ILUC acontece de forma indireta: por exemplo, se a lavoura ocupa pastagem e esta, por sua vez, se desloca para uma floresta, esse efeito indireto caracteriza o ILUC. Ambos os processos podem gerar emissões significativas de GEE, tornando essencial uma gestão eficaz do risco de ILUC para assegurar credibilidade ambiental e aceitação internacional.
Novidade da pesquisa

Tradicionalmente, o ILUC era incorporado aos cálculos de emissões de biocombustíveis por meio de fatores quantitativos. Um exemplo é a regulamentação da OACI, em que o biocombustível HEFA de soja do Brasil recebe um acréscimo de 27 gCO2e/MJ às emissões do ciclo de vida, aumentando em 33% seu impacto total. No entanto, essa abordagem é alvo de críticas por inconsistência metodológica e variação nos resultados.
Como alternativa, a gestão do risco de ILUC vem ganhando espaço. Em 2023, especialistas brasileiros foram convidados pela Marinha do Brasil, representante do país na IMO, para apresentar uma proposta detalhando como operacionalizar essa gestão para biocombustíveis marítimos.







