O agronegócio brasileiro registrou 27,79 milhões de pessoas ocupadas no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O resultado representa uma interrupção na sequência de recordes observada nos anos anteriores e ocorreu em meio à retração da ocupação no mercado de trabalho brasileiro.
Emprego no agronegócio brasileiro

Entre janeiro e março, os trabalhadores ligados ao agronegócio corresponderam a 25,73% do total de pessoas ocupadas no país. A participação ficou abaixo dos 26,33% registrados no mesmo período de 2025 e dos 26,03% observados no quarto trimestre do ano passado.
A redução chama atenção porque, normalmente, o primeiro trimestre concentra uma participação maior do agronegócio no mercado de trabalho. A sazonalidade costuma estar relacionada ao encerramento das contratações temporárias realizadas no comércio e nos serviços durante o fim do ano, ao mesmo tempo em que determinadas atividades agropecuárias ampliam a demanda por trabalhadores.
Na comparação com o último trimestre de 2025, a ocupação no agronegócio diminuiu 2,1%, o equivalente a 600,7 mil trabalhadores a menos. No mercado de trabalho brasileiro como um todo, a queda foi menor, de 0,9%, com redução de aproximadamente 1,02 milhão de pessoas ocupadas.
O principal impacto dentro do agronegócio veio dos agrosserviços, que tiveram retração de 4,5%, correspondente a 481,7 mil trabalhadores. O segmento reúne atividades como transporte, armazenamento, comércio, administração, contabilidade e outros serviços relacionados às cadeias produtivas.
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Produção agropecuária

Também houve queda na ocupação da produção agropecuária primária, de 0,9%, com redução de 67,2 mil trabalhadores, e nas agroindústrias, que perderam 58,4 mil ocupações, recuo de 1,2%. Na direção oposta, o segmento de insumos apresentou crescimento de 2,1%, incorporando 6,6 mil trabalhadores.
Entre as atividades de insumos, o avanço foi puxado principalmente pela produção de rações, que teve aumento de 14,3% na ocupação, equivalente a 18,6 mil trabalhadores. Mesmo com o crescimento, outras atividades do segmento registraram redução. Ainda assim, o número de ocupados ficou como o segundo maior já registrado para um primeiro trimestre, atrás apenas do resultado de 2025.
Na produção agropecuária, a retração trimestral ocorreu tanto na agricultura quanto na pecuária. A agricultura perdeu 32,8 mil ocupações, enquanto a pecuária apresentou redução de 38,6 mil.
Entre as atividades agrícolas, os principais recuos foram registrados na produção florestal, com queda de 9,6%, nas demais lavouras temporárias, de 3,6%, na cana-de-açúcar, de 2,7%, e na horticultura, de 1,9%.
Na pecuária, a bovinocultura teve papel relevante na redução, com queda de 3,6%, correspondente a 66,4 mil trabalhadores. Também houve retração na pesca e na aquicultura.







