Um estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros e britânicos identificou que alterações simples no manejo de meliponários podem reduzir os erros de navegação de abelhas-sem-ferrão e contribuir para a saúde das colônias.
A pesquisa mostrou que a diferenciação das caixas por cores e a mudança na orientação das entradas dos ninhos diminuem a ocorrência do chamado drifting, comportamento em que operárias retornam para colônias diferentes daquelas de origem.
Abelhas-sem-ferrão

O fenômeno, embora pareça inofensivo, pode facilitar a disseminação de doenças, parasitas e até resíduos de defensivos agrícolas entre as colônias, afetando a produção de mel e a sobrevivência das abelhas.
O estudo avaliou duas espécies brasileiras de abelhas-sem-ferrão, reconhecidas pela importância na polinização de culturas agrícolas e da vegetação nativa. Pela primeira vez, os pesquisadores analisaram de forma experimental como a disposição dos ninhos interfere na frequência desses erros de navegação.
Nos testes realizados com a abelha mandaçaia (Melipona quadrifasciata), a maior taxa de drifting foi registrada quando todas as caixas tinham a mesma aparência e estavam voltadas para a mesma direção, alcançando 59,5%. Ao alternar apenas a orientação das entradas, o índice caiu para 48,1%. Já com caixas de cores diferentes, mantendo a mesma orientação, a taxa foi reduzida para 37,6%.

De acordo com os pesquisadores, o uso de caixas coloridas reduziu os erros de navegação em 21,9% em relação ao modelo tradicional, enquanto a alternância da posição das entradas proporcionou redução de 11,4%. Os resultados indicam que as abelhas utilizam referências visuais e espaciais para localizar corretamente seus ninhos.
Além das mudanças no arranjo dos meliponários, a pesquisa também emprega uma tecnologia baseada em microetiquetas de radiofrequência fixadas no dorso das abelhas. Os dispositivos registram informações como horários de saída e retorno, duração dos voos, visitas a colônias vizinhas e períodos de maior atividade.
Os dados coletados ainda podem ser relacionados a fatores ambientais, como temperatura e umidade, permitindo um acompanhamento mais detalhado do comportamento das abelhas e ampliando o conhecimento sobre a dinâmica das colônias.







