O avanço da guerra no Oriente Médio, envolvendo países como Estados Unidos, Israel e Irã, começa a impactar o agronegócio brasileiro e acende um alerta em diferentes cadeias produtivas.
A escalada do conflito pressiona os custos de produção, impulsiona a alta dos combustíveis e dos fretes, além de afetar o mercado de fertilizantes.
O cenário também afeta operações logísticas, especialmente rotas marítimas e aéreas, e preocupa produtores quanto ao planejamento e à previsibilidade das próximas safras.
Pressões no agronegócio brasileiro devido a guerra no Oriente Médio

O economista e sócio da Valor Investimentos, Davi Lelis, destaca que a escalada das tensões, intensificada no fim de fevereiro, já afeta três áreas centrais para o setor: fertilizantes, energia e logística.
De acordo com o especialista, no caso dos fertilizantes, o impacto é imediato, pois o Brasil depende majoritariamente de importações, com cerca de 80% a 85% dos insumos vindos do exterior. Uma parcela significativa desses produtos passa pelo Oriente Médio, o que torna o setor ainda mais vulnerável diante do agravamento do conflito.
“O produtor já está sentindo isso no bolso. A ureia, que é um dos principais fertilizantes usados em culturas como milho, trigo, café e cana, teve uma disparada recente”, afirma Davi em entrevista ao Portal Agro2.
Nos últimos 30 dias, o insumo acumulou alta próxima de 50%. Na comparação anual, o aumento chega a quase 90%. Outros produtos também seguem a mesma tendência, como o fosfato monoamônico (MAP), que registra elevação significativa.
Além da alta nos preços, também há pressões na entrega. Navios carregados com fertilizantes enfrentam atrasos na região do conflito, o que pode comprometer o abastecimento no Brasil, fator que gera preocupação e pode ser estender para os próximos anos.
Conforme o especialista, há risco de déficit no fornecimento de fertilizantes fosfatados, o que pode comprometer uma parcela significativa da demanda nacional e afetar diretamente a produtividade das safras de 2026 e 2027.
Restrições nos fornecedores globais

O cenário se agrava com restrições impostas por grandes fornecedores globais. A Rússia já limita exportações desde o início da guerra na Ucrânia, enquanto a China também tem adotado medidas para segurar o envio de fertilizantes ao exterior. Com isso, três importantes origens para o Brasil enfrentam pressão simultânea.
Outro ponto de atenção é o setor de energia. Desde o início do conflito, o petróleo acumulou forte valorização, assim como o gás natural. No Brasil, o diesel responsável por grande parte do transporte de cargas, segue com defasagem, encarecendo ainda mais a operação no campo.
“Isso chega direto na ponta. O custo para colher, transportar e produzir aumenta justamente em um momento sensível, que é o período de colheita”, destaca Davi.
Na logística, o impacto também é expressivo. O frete marítimo para grãos registrou alta significativa no último ano, refletindo as incertezas nas rotas comerciais.
Além disso, há preocupação com a demanda internacional. O Irã, um dos principais compradores de milho brasileiro, pode reduzir ou interromper aquisições em meio ao conflito. Caso isso ocorra, a tendência é de aumento da oferta interna e pressão sobre os preços.







