A introdução de abelhas africanas no Brasil, iniciada há quase 70 anos, transformou profundamente a apicultura nacional e ajudou o país a se tornar uma das referências mundiais na produção de mel.
O processo de africanização das abelhas Apis mellifera, que começou em 1956, mudou a dinâmica da atividade no campo e impulsionou avanços técnicos, produtivos e econômicos ao longo das décadas.
Abelhas africanas no Brasil

Com base no material da Embrapa, na época, rainhas da subespécie africana A. m. scutellata foram trazidas ao país pelo geneticista Warwick Estevan Kerr para um programa de melhoramento genético. O objetivo era desenvolver colônias mais produtivas e adaptadas ao clima tropical brasileiro.
Um ano depois, em 1957, um episódio ocorrido em Rio Claro (SP) marcou o início da dispersão das abelhas africanas na natureza. A retirada acidental de telas de contenção permitiu que enxames escapassem e cruzassem com abelhas europeias já existentes no país, dando origem às chamadas abelhas africanizadas.
Os primeiros anos do processo foram marcados por insegurança e dificuldades para os produtores. O comportamento mais defensivo das colônias gerou medo na população e afetou diretamente a atividade apícola, levando muitos criadores a abandonar a produção.
Com o avanço das pesquisas e a adaptação dos métodos de manejo, porém, a apicultura brasileira passou por uma reestruturação. As abelhas africanizadas demonstraram maior resistência, capacidade de adaptação e produtividade, características que contribuíram para a expansão do setor.

Os resultados aparecem nos números da produção nacional. Enquanto na década de 1950 o Brasil produzia cerca de 5 mil toneladas de mel por ano, o volume alcançou aproximadamente 67,3 mil toneladas em 2024. As exportações também ganharam força, movimentando US$ 116,5 milhões em 2025.
Além da produção de mel, as abelhas têm papel estratégico na polinização agrícola e na manutenção dos ecossistemas. Estudos apontam que os ganhos econômicos relacionados à polinização podem superar, em larga escala, a receita obtida com a comercialização do mel.
Apesar dos avanços, especialistas ainda acompanham desafios ligados ao comportamento defensivo das colônias, à tendência de enxameação e aos impactos sobre espécies nativas. O tema segue no centro de debates sobre conservação, segurança e o futuro da apicultura brasileira.







