A inflação oficial do país perdeu força em abril, mas os alimentos e os gastos com saúde continuaram pressionando o bolso dos brasileiros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,67% no mês, abaixo dos 0,88% registrados em março.
Apesar da desaceleração, o resultado ainda ficou acima da média dos últimos cinco anos para o período.
IPCA em abril

Os maiores impactos vieram dos grupos Alimentação e Bebidas e Saúde e Cuidados Pessoais. Juntos, eles responderam por quase dois terços da inflação do mês. O setor de saúde acelerou de 0,42% em março para 1,16% em abril, influenciado principalmente pelo reajuste nos medicamentos autorizado neste ano. Os produtos farmacêuticos subiram 1,77%.
Nos supermercados, os preços dos alimentos voltaram a pesar no orçamento das famílias. A alimentação no domicílio teve alta de 1,64%, puxada principalmente pela disparada da cenoura, que subiu 26,6%. Também ficaram mais caros o leite longa vida, a cebola, o tomate e as carnes.
Segundo os dados, a alta da cenoura está ligada à menor oferta e aos prejuízos provocados pelas chuvas em regiões produtoras. Já o leite foi impactado pelo período de entressafra, que reduz a disponibilidade de matéria-prima para a indústria. No caso do tomate e da cebola, problemas climáticos e perdas na produção ajudaram a elevar os preços.
As carnes bovinas também registraram aumento, refletindo a valorização do boi gordo, a demanda interna aquecida e o bom desempenho das exportações.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda em abril. A maçã, o café moído, o mamão, o frango em pedaços e a carne suína ficaram mais baratos no período. O avanço das colheitas e o aumento da oferta ajudaram a reduzir os preços de frutas e do café. Já no mercado de proteínas, a demanda mais fraca e a elevada oferta de animais pressionaram as cotações para baixo.
Os custos com moradia também contribuíram para a inflação do mês. O grupo Habitação avançou 0,63%, impulsionado principalmente pelo aumento do gás de cozinha e da energia elétrica em várias capitais.
Transportes

Nos transportes, houve desaceleração importante. O grupo praticamente ficou estável em abril, com alta de apenas 0,06%, após avanço de 1,6% em março. A queda nas passagens aéreas ajudou a conter o índice, embora os combustíveis continuassem em alta. A gasolina subiu 1,86%, enquanto o óleo diesel teve aumento de 4,46%.
O cenário inflacionário segue influenciado pelos efeitos do conflito no Oriente Médio, especialmente sobre os combustíveis e os fertilizantes. A ureia, um dos principais insumos usados na produção agrícola, acumulou forte valorização nos últimos meses, elevando os custos para a próxima safra.
No acumulado de 12 meses até abril, o IPCA soma alta de 4,39%. Já o grupo Alimentação e Bebidas registra avanço de 2,69% no mesmo período.







