Durante a COP30, conferência do clima das Nações Unidas realizada em 2025, em Belém (PA), foi lançado o livro Ciência para o clima e soluções da agricultura brasileira.
A obra sistematiza resultados de décadas de pesquisas científicas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa e ao aumento do sequestro de carbono na agropecuária tropical, sem comprometer os níveis de produtividade.
Soluções da agricultura brasileira

Organizada pela Embrapa, a publicação apresenta tecnologias, métricas e estratégias que têm sido aplicadas no país e que reforçam o papel da ciência na formulação de políticas públicas e na estruturação de cadeias produtivas de menor impacto ambienta
Um dos conceitos centrais abordados é o balanço de carbono, indicador que mede a diferença entre o carbono emitido e o capturado pelos sistemas produtivos.
De acordo com a pesquisadora Beata Madari, da Embrapa Arroz e Feijão, a mensuração precisa desse balanço é fundamental para avaliar a sustentabilidade da produção agropecuária.
Segundo ela, ferramentas como a avaliação do ciclo de vida permitem demonstrar que sistemas agrícolas tropicais podem contribuir de forma efetiva para a mitigação das mudanças climáticas.
No Brasil, a adoção de práticas conservacionistas tem avançado nas últimas décadas. O Plano ABC+ (2020–2030), principal política nacional voltada à mitigação de emissões no setor agropecuário, prevê a ampliação de tecnologias sustentáveis em 72 milhões de hectares até o fim da década.
A estimativa é de evitar a emissão de mais de 1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente nesse período, com ações como integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens degradadas, plantio direto, uso de bioinsumos, manejo eficiente da irrigação e fixação biológica de nitrogênio.
Aumento do carbono estocado no solo

Essas práticas favorecem o aumento do carbono estocado no solo, principalmente na forma de matéria orgânica, que pode conter mais da metade de sua composição em carbono.
Além de contribuir para o enfrentamento do aquecimento global, o manejo adequado do solo melhora a fertilidade e reduz a dependência de insumos sintéticos. Em sentido oposto, o desmatamento e o uso inadequado da terra intensificam a liberação de gases de efeito estufa.
Para garantir a comparabilidade dos dados, as medições seguem parâmetros do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), que expressa os resultados em CO₂ equivalente. Nesse cálculo, gases como o metano e o óxido nitroso têm peso elevado, por apresentarem potencial de aquecimento global significativamente maior do que o dióxido de carbono.
A confiabilidade dessas informações também depende da qualidade das análises laboratoriais. Segundo o pesquisador Celso Manzatto, da Embrapa Meio Ambiente, programas como o de Análise de Qualidade de Laboratórios de Fertilidade do Solo e o Ensaio de Proficiência em Análise de Carbono do Solo têm papel central na padronização de métodos e na validação dos resultados utilizados em inventários e mercados de carbono.
Os impactos dessas iniciativas já aparecem nos dados consolidados. Entre 2010 e 2020, o primeiro Plano ABC evitou a emissão de 194 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, com práticas sustentáveis adotadas em cerca de 54 milhões de hectares. A recuperação de pastagens e a integração entre lavoura, pecuária e floresta estão entre os principais pontos dessa mudança.







