O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro caiu 2,01% no primeiro trimestre de 2026, dando sequência ao movimento de desaceleração iniciado no fim do ano passado.
O resultado reflete, principalmente, a redução dos preços de produtos agropecuários, que superou os ganhos obtidos com o aumento da produção em diferentes cadeias.
Recuo do PIB Brasileiro

Os dados, calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostram que o ramo agrícola foi o principal responsável pelo recuo, com retração de 3,62%. Já a pecuária registrou leve crescimento de 0,70%.
Entre os segmentos que compõem o agronegócio, todos apresentaram desempenho negativo no período. O segmento de insumos caiu 2,15%, enquanto a produção dentro da porteira recuou 4,15%. A agroindústria registrou queda de 1,03% e os agrosserviços tiveram retração de 1,25%.
Segundo o levantamento, a redução dos preços foi determinante para o resultado. Mesmo com expectativa de maior produção de culturas como soja, café e cana-de-açúcar, a desvalorização das commodities reduziu o valor gerado pela atividade agrícola. Na pecuária, o cenário foi semelhante: a produção deve crescer ao longo do ano, mas os preços mais baixos limitaram o desempenho econômico do setor.
No segmento de insumos, o recuo foi influenciado pela queda nos preços de defensivos agrícolas, máquinas e rações. O mercado também continua sendo impactado por fatores como crédito restrito, juros elevados e maior cautela dos produtores na realização de investimentos.
Agroindústria

Na agroindústria, as maiores perdas vieram das atividades ligadas ao café e ao açúcar. Em contrapartida, as indústrias de base pecuária registraram crescimento, favorecidas pela redução dos custos intermediários de produção.
Apesar da retração registrada no início do ano, a estimativa é de que o PIB do agronegócio alcance R$ 3,13 trilhões em 2026. Desse total, cerca de R$ 1,88 trilhão deve ser gerado pelo ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão pela pecuária. Ainda assim, a participação do setor na economia brasileira deve recuar para aproximadamente 22,8%, abaixo dos 25,2% registrados em 2025.







