Os países que compõem o MERCOSUL – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – anunciaram, nesta sexta-feira (17), a assinatura do Acordo de Associação e do Acordo Interino de Comércio com a União Europeia (UE).
A formalização marca um avanço histórico nas relações entre os blocos e consolida uma das maiores parcerias comerciais do mundo.
A cerimônia foi realizada em Assunção e contou com a presença dos ministros das Relações Exteriores dos países do MERCOSUL, além do Comissário de Comércio e Segurança Econômica da União Europeia. Autoridades de alto escalão das duas regiões também participaram como convidados de honra.

Acesso ampliado ao mercado europeu
O acordo cria um marco abrangente de cooperação econômica, prevendo a eliminação de tarifas e estímulo ao comércio de bens, serviços e investimentos.
Para o MERCOSUL, o impacto é considerado expressivo: a União Europeia, terceira maior economia mundial, abrirá preferencialmente seu mercado de 450 milhões de consumidores.
Com a implementação gradual das regras, cerca de 92% das exportações do MERCOSUL à União Europeia passarão a ingressar sem tarifa, movimentando aproximadamente US$ 61 bilhões. Outros 7,5% do total exportado também terão redução ou preferência tarifária, o equivalente a US$ 4,7 bilhões, beneficiando praticamente toda a pauta exportadora do bloco.
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Além de ampliar o acesso comercial, o acordo deve fortalecer a competitividade das empresas sul-americanas e facilitar investimentos, inovações e geração de emprego.
O tratado vai além do comércio. Também estabelece mecanismos de cooperação em áreas como desenvolvimento econômico, inovação, sustentabilidade, direitos humanos e fortalecimento institucional.
Segundo representantes de ambos os blocos, o pacto reforça valores comuns, incluindo defesa da democracia, do multilateralismo e dos direitos humanos.

Resultado de décadas de negociação
A assinatura encerra mais de 26 anos de negociações e cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, com 720 milhões de pessoas e um PIB superior a US$ 22 trilhões.
O governo brasileiro destacou que o acordo é parte de uma política de reabertura e diversificação comercial. Desde 2023, o país já assinou tratados com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e negocia novos acordos com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Vietnã e Índia.
O acordo segue agora para os procedimentos de ratificação em cada país e deverá ser implementado de forma gradual nos próximos anos.







