O preço da cesta básica de alimentos recuou em 25 das 27 capitais brasileiras em agosto, na comparação com julho.
A redução foi influenciada principalmente pela queda nas cotações de itens como café, tomate e batata. Apesar do alívio no último mês, o custo do conjunto de alimentos ainda registra alta acumulada desde dezembro de 2025 em todas as capitais pesquisadas.
Preço da cesta básica de alimentos

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), e divulgada nesta quinta-feira (10).
Entre os produtos que mais contribuíram para a redução em agosto está o café em pó, que ficou mais barato em 23 capitais. A maior queda foi registrada no Rio de Janeiro, de 5,98%. Segundo o levantamento, a menor demanda no varejo ajudou a pressionar os preços para baixo, mesmo diante de fatores que limitaram a oferta, como o avanço do período de colheita, o início das exportações e as condições climáticas.
O tomate também apresentou recuo generalizado, com redução em 22 capitais. As maiores quedas ocorreram em Campo Grande (-27,09%), Manaus (-26,99%), Rio Branco (-25,93%), Salvador (-23,05%) e Aracaju (-20,20%).
Outro destaque foi a batata, pesquisada nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Os preços caíram nas 11 unidades da Federação analisadas, com retrações superiores a 14%. Em Brasília, a redução chegou a 34,18%, enquanto São Paulo registrou queda de 14,65%. O movimento foi associado ao aumento da oferta provocado pela safra de inverno.
Feijão carioca

O feijão-carioca também ficou mais barato em 19 das 22 capitais onde a variedade é considerada na composição da cesta. Em Goiânia, a redução chegou a 15,47%, favorecida pelo avanço da colheita da terceira safra. Já o feijão-preto, que está em período de entressafra, teve alta em quatro das cinco capitais pesquisadas.
O açúcar registrou redução em 16 capitais, considerando as versões cristal e refinada. No caso do açúcar refinado, houve queda nas cinco capitais onde o produto é acompanhado pela pesquisa.
Na outra ponta, alguns alimentos ficaram mais caros. O arroz agulhinha e o leite integral tiveram aumento em 23 capitais. No caso do arroz, a menor disponibilidade do produto, a recomposição dos estoques industriais e problemas logísticos relacionados às chuvas contribuíram para a alta. Os maiores avanços foram observados em Porto Alegre (6,43%), Brasília (6,29%), Vitória (5,54%) e Curitiba (5,28%).
O leite também apresentou aumentos expressivos, principalmente em Teresina (7,66%), Campo Grande (7,42%) e João Pessoa (7,08%).
Pão francês e óleo de soja subiram em 18 capitais. A valorização do trigo e da farinha contribuiu para a alta do pão, enquanto o óleo foi influenciado, segundo a pesquisa, pela demanda internacional e por possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a próxima safra de soja.
A carne bovina de primeira e a banana tiveram aumento em 16 capitais. A carne apresentou alta de até 4,81% em Campo Grande, enquanto a banana chegou a subir 9,03% na mesma capital.
Custo segue em alta no acumulado
Apesar da queda observada na comparação entre julho e agosto, o comportamento dos preços no acumulado mostra um cenário diferente. Entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, o valor da cesta básica aumentou em todas as 27 capitais pesquisadas.
As altas acumuladas variaram de 2,82% em Brasília a 12,29% em Porto Velho. No período de 12 meses, houve aumento em 25 capitais, com variações entre queda de 0,64% em Brasília e alta de 7,51% em Goiânia.
Em agosto, São Paulo registrou o maior valor da cesta básica, de R$ 900,59. Na sequência apareceram Cuiabá, com R$ 851,57, e Rio de Janeiro, com R$ 851,19.
Os dados mostram, portanto, que a redução registrada em agosto representa um alívio pontual no preço dos alimentos, mas ainda não reverte a trajetória de alta acumulada ao longo de 2026.







