O combate ao desmatamento na Amazônia costuma ser tratado como pauta ambiental. Um estudo recente, porém, indica que a questão também tem impacto direto na segurança pública.
A pesquisa “Combate ao desmatamento reduz a criminalidade na Amazônia”, elaborada pelo projeto Amazônia 2030, aponta associação entre o reforço da fiscalização ambiental e a redução de homicídios e outros crimes em municípios da região.
Combate ao desmatamento na Amazônia

Segundo o levantamento, áreas com maior presença do Estado tendem a registrar menos episódios de violência. Já em locais onde o poder público é limitado, avançam práticas como grilagem de terras, garimpo ilegal, extração clandestina de madeira e conflitos armados ligados à disputa por território.
Um dos órgãos que atuam diretamente nessas áreas é o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável por 133 unidades de conservação federais na Amazônia, que somam mais de 60 milhões de hectares.
De acordo com o coordenador da Coordenação-Geral de Proteção do instituto, Ricardo Brochado, os crimes ambientais costumam estar ligados a outras ilegalidades.
Situações emergenciais

Além da fiscalização, agentes ambientais acabam atuando em mediações de conflitos e situações emergenciais em áreas onde há baixa oferta de serviços públicos. A atuação, segundo o estudo, altera a dinâmica local ao dificultar a consolidação de atividades ilegais.
O instituto utiliza sistemas de monitoramento por satélite para identificar áreas prioritárias de intervenção, entre eles o Deter, o Programa Brasil MAIS e bases independentes como o MapBiomas. As informações orientam operações concentradas em pontos considerados mais críticos.
Dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, as unidades sob gestão do ICMBio registraram a maior redução de desmatamento desde a criação do órgão.
Entre 2022 e 2025, a queda nas unidades de conservação federais foi de 74%, percentual acima da redução de 50% observada na Amazônia no mesmo período. O estudo aponta que a diminuição da pressão ambiental e a presença contínua do poder público podem influenciar também os índices de violência nos territórios.







