Pela primeira vez no país, o risco de extinção de moscas e pernilongos, pertencentes à ordem dos Dípteros, passará por análise oficial em âmbito estadual.
Em Goiás, a iniciativa será conduzida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, que abriu entre os dias 2 e 31 de março uma consulta pública para reunir dados sobre a ocorrência dessas espécies no território goiano.
Extinção de moscas e pernilongos

A proposta integra o projeto de elaboração da lista estadual de espécies ameaçadas. Segundo a pesquisadora da Universidade Federal de Goiás, Sarah S. Oliveira, o foco recai sobre grupos que desempenham funções ecológicas relevantes, mas que costumam passar despercebidos.
Entre eles estão mosquitos predadores de outros insetos, inclusive do Aedes aegypti, espécies associadas a fungos encontradas apenas em áreas florestais preservadas, além de organismos responsáveis pela decomposição de matéria orgânica e pela polinização.
De acordo com a pesquisadora, das 129 espécies selecionadas nesta etapa, muitas têm ocorrência restrita ao estado e algumas estão registradas apenas em uma única unidade de conservação. O dado reforça a importância dessas áreas protegidas e da ampliação dos estudos sobre o grupo.
Nesta fase inicial, serão avaliados representantes de diferentes famílias, como Asilidae, Syrphidae, Tabanidae, Tipulidae e Calliphoridae, entre outras. A diversidade do grupo é um dos principais desafios do processo.
Consulta aberta à comunidade científica

As contribuições devem ser enviadas por pesquisadores por meio da plataforma BioData, mantida pelo governo estadual. No sistema, é possível buscar o nome da espécie e inserir informações técnicas que serão posteriormente analisadas por especialistas.
Os dados aprovados passam a integrar fichas detalhadas, que incluem informações sobre ocorrência, história natural e registros fotográficos.
A classificação do grau de ameaça seguirá metodologia reconhecida internacionalmente, desenvolvida pela International Union for Conservation of Nature. O processo prevê oficinas técnicas com especialistas nos diferentes grupos taxonômicos.
Atualmente, as listas oficiais disponíveis são de abrangência nacional, elaboradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Com a lista própria, Goiás poderá reconhecer situações específicas que não aparecem nos levantamentos federais, como espécies ameaçadas regionalmente, mas não classificadas em risco em nível nacional.
A expectativa do governo estadual é avaliar cerca de 1,7 mil espécies de vertebrados presentes em Goiás, incluindo mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes, além de aproximadamente 900 espécies de invertebrados, entre elas libélulas, aracnídeos, moscas e abelhas.







