Os volumes de chuvas registrados nas últimas semanas em Mato Grosso do Sul têm apresentado grande variação entre as regiões do estado, influenciando o desempenho das lavouras na fase final da soja e no início do cultivo do milho de segunda safra.
Com base no Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a combinação entre precipitações irregulares e temperaturas elevadas tem afetado principalmente áreas de soja semeadas mais tardiamente, que ainda atravessam etapas decisivas para a definição da produtividade.
Volumes de chuvas registrado no Mato Grosso do Sul

Nesse período, fatores como a formação de grãos nas vagens e o peso final da produção são determinantes para o rendimento da cultura.
As condições mais críticas são observadas nas regiões sul e sudeste do estado, onde o déficit hídrico tem sido mais frequente. Nessas áreas, estimativas indicam possibilidade de perdas de produtividade de até 35% até o dia 15 de março.
A projeção foi elaborada com base em dados do Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO), que utiliza indicadores agrometeorológicos, como precipitação, evapotranspiração e balanço hídrico do solo, para avaliar os efeitos das condições climáticas no desenvolvimento das lavouras.
Mesmo nas áreas do norte do estado, que até então vinham apresentando melhores condições de umidade devido a chuvas mais frequentes durante o desenvolvimento vegetativo da soja, já começam a ser observados sinais de redução na disponibilidade de água no solo.
Entre o final de fevereiro e o início de março, aumentou a frequência de déficits hídricos diários, o que elevou a estimativa de perdas para até 26,8% até o dia 11 de março. Ainda assim, a previsão de novas chuvas nos próximos dias pode evitar que esse quadro se agrave até meados do mês.
Condições climáticas

As condições climáticas também influenciam o avanço das culturas de segunda safra, como milho, sorgo e pastagens. No sul de Mato Grosso do Sul, a semeadura do milho está mais adiantada, mas o desenvolvimento inicial das plantas depende da ocorrência de novas chuvas. Já nas áreas do norte, o cenário climático tende a favorecer tanto o plantio quanto o estabelecimento das lavouras.
No caso das pastagens, a regularidade das chuvas é fundamental para manter a umidade do solo e estimular o crescimento das gramíneas forrageiras, garantindo maior oferta de alimento para o rebanho. Em contrapartida, períodos prolongados de estiagem podem reduzir o crescimento da vegetação, diminuir a produção de biomassa e limitar a capacidade de suporte das áreas de pastejo.
A previsão meteorológica indica continuidade das chuvas nos próximos dias nas regiões centro-norte, leste e em áreas do Pantanal sul-mato-grossense, com acumulados entre 80 e 200 milímetros. Esse cenário tende a manter a umidade do solo nessas regiões, embora as temperaturas médias do ar devam permanecer acima de 26 °C, o que pode favorecer as lavouras, mas também dificultar algumas operações em campo.
Em contraste, o sul do estado deve registrar volumes menores de precipitação, o que pode prolongar o déficit hídrico no solo e manter o risco de perdas nas lavouras.







