As cavernas brasileiras reúne mais de 30 mil unidades oficialmente registradas e estima-se que esse número possa ultrapassar 300 mil.
Diante do avanço do ecoturismo nesses ambientes, pesquisadores buscam desenvolver métodos que permitam avaliar os efeitos da visitação sobre a fauna subterrânea e, assim, conciliar o turismo com a preservação desses ecossistemas.
Impacto do turismo em cavernas brasileiras

As pesquisas tiveram início no Parque Nacional da Furna Feia, no Rio Grande do Norte, como parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Patrimônio Espeleológico (PAN Cavernas), coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav/ICMBio).
A proposta é produzir informações técnicas que auxiliem na definição de quais cavernas poderão receber visitantes e quais precisarão permanecer com acesso restrito para garantir sua conservação.
Uma das características do estudo é a realização de testes de visitação antes da abertura oficial das cavernas ao turismo. A estratégia, ainda pouco utilizada no país, permite identificar possíveis impactos antecipadamente e estabelecer critérios para o manejo dessas áreas desde o início da atividade turística.
Depois da etapa no Rio Grande do Norte, a metodologia também será aplicada em Minas Gerais, estado que concentra o maior número de cavernas brasileiras. Além das áreas com potencial turístico, os pesquisadores farão comparações com cavernas que permanecem sem visitação para medir as diferenças provocadas pela presença humana.
Durante os experimentos, grupos de visitantes percorrem os trajetos previstos enquanto cientistas monitoram alterações no ambiente. São analisadas a quantidade e a diversidade de espécies de invertebrados, além de fatores como temperatura, umidade e características dos micro-habitats.
Equilíbrio ecológico

De acordo com os pesquisadores envolvidos, mudanças frequentes provocadas pela ação humana, quando ocorrem sem planejamento, podem comprometer o equilíbrio ecológico das cavernas.
Entre os principais riscos estão os impactos sobre espécies de invertebrados exclusivas desses ambientes, que não existem em nenhum outro lugar do planeta.
Outro fator de preocupação é a introdução de materiais externos nas cavernas, o que pode favorecer o desenvolvimento de fungos e de camadas de microrganismos estimuladas pela iluminação artificial, alterando as condições naturais do ecossistema subterrâneo.
A região do Parque Nacional da Furna Feia e dos municípios de Felipe Guerra e Governador Dix-Sept Rosado é considerada uma das mais importantes da América do Sul para pesquisas bioespeleológicas. Há cerca de duas décadas, universidades e instituições de pesquisa desenvolvem estudos na área, reconhecida pela elevada biodiversidade subterrânea.







