O avanço de temperaturas elevadas e a redução da umidade devem aumentar o risco de estresse térmico em rebanhos bovinos de áreas do Centro-Oeste e Norte do Brasil entre os dias 4 e 9 de agosto de 2026.
A previsão é do módulo de Conforto Térmico Bovino (CTB), ferramenta integrada ao Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Impacto das altas temperaturas em rebanhos bovinos

O sistema utiliza o Índice de Temperatura e Umidade (ITU) para avaliar as condições ambientais e indicar locais com maior possibilidade de desconforto para os animais. A ferramenta auxilia produtores na antecipação de medidas de manejo para reduzir impactos sobre a saúde e o desempenho dos rebanhos.
De acordo com a previsão, as áreas classificadas com risco de estresse térmico devem se ampliar ao longo da semana, principalmente em regiões de Mato Grosso, Rondônia, sul do Amazonas e oeste do Pará. No início do período analisado, predominam condições de atenção e alerta em grande parte dessas áreas, mas a tendência é de aumento dos pontos classificados como perigo e emergência até o dia 9 de agosto.
Entre os locais monitorados, Porto Velho (RO) apresenta uma das situações mais preocupantes, com previsão de permanência em níveis elevados de estresse térmico durante praticamente todo o período e aproximação da categoria de emergência no fim da semana. Em municípios como Lábrea (AM), Juara (MT) e São Félix do Xingu (PA), também há tendência de elevação do ITU, indicando piora gradual das condições para os animais.
Em Corumbá (MS), o cenário previsto é menos severo, com os índices permanecendo entre as categorias de atenção e alerta. Já áreas do Sul, grande parte do Sudeste e o leste do Nordeste devem manter condições mais favoráveis, com menor probabilidade de ocorrência de estresse térmico.
O aumento do Índice de Temperatura e Umidade pode dificultar a capacidade dos bovinos de eliminar calor corporal, principalmente nos horários mais quentes do dia. Entre os efeitos estão redução no consumo de alimento, menor ganho de peso, queda na produção de leite, alterações reprodutivas e aumento da frequência respiratória.
Impactos na produtividade

Os impactos costumam ser mais intensos em animais de alta produtividade, como vacas em lactação e rebanhos mantidos em sistemas intensivos de criação. Por isso, especialistas recomendam reforçar medidas preventivas, como garantir acesso constante à água limpa, oferecer áreas de sombra, ajustar horários de alimentação e evitar manejos estressantes durante os períodos de maior calor.
O acompanhamento das condições pelo SISDAGRO permite que produtores e técnicos identifiquem antecipadamente períodos de maior risco e adotem estratégias para minimizar perdas. A previsão meteorológica aliada ao monitoramento do conforto térmico se torna uma ferramenta de apoio para melhorar o manejo e preservar o bem-estar dos animais.







