O greening já foi identificado em 164 municípios do Paraná, segundo levantamento da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) atualizado até dezembro de 2025. A doença, considerada uma das principais ameaças à citricultura, é causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp e transmitida pelo psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri).
Os registros estão distribuídos por diferentes regiões produtoras, entre elas o Norte, o Noroeste e o Vale do Ribeira. A presença da doença preocupa porque o inseto transmissor pode se deslocar entre propriedades, favorecendo a chegada da bactéria a pomares que ainda não apresentam registros de infecção.
Greening no Paraná

Nas plantas afetadas, os primeiros sinais podem aparecer nas folhas, com áreas de coloração amarelada distribuídas de forma irregular. Também são observados frutos deformados ou com manchas e redução da produtividade. Com a evolução da infecção, as árvores podem perder vigor e morrer.
O controle depende do monitoramento constante dos pomares e da adoção de medidas para reduzir a presença do psilídeo. A preocupação não se limita às propriedades comerciais. Plantas cítricas mantidas em quintais, áreas urbanas e propriedades sem produção comercial também podem servir como fonte de permanência da bactéria e do inseto transmissor.
A regulamentação do controle no Estado está prevista na Portaria 105/2026 da Adapar, publicada em março deste ano. Entre as exigências está o cadastro das propriedades que produzem citros comercialmente e possuem pelo menos 50 plantas. Nas cidades onde o greening já foi identificado e nos municípios vizinhos, os produtores precisam realizar o monitoramento e o controle do psilídeo de acordo com os critérios definidos pela agência.
Os pomares comerciais também devem passar por inspeções a cada três meses. Os responsáveis precisam apresentar dois relatórios anuais com os resultados das vistorias, nos prazos estabelecidos pela regulamentação.
A retirada das plantas contaminadas segue critérios relacionados à idade das árvores. Em pomares onde o manejo do psilídeo é considerado adequado, plantas de até oito anos e aquelas com mais de 15 anos devem ser eliminadas imediatamente após a identificação. Para árvores entre nove e 12 anos, a regulamentação estabelece prazo de quatro anos. Já as plantas de 13 a 15 anos têm prazo de três anos para retirada. Depois desse período, a eliminação passa a ser imediata.
Quando mais da metade das plantas de um mesmo talhão apresenta sintomas, a determinação é pela retirada de todas as árvores da área.
Regulamentação
A regulamentação também estabelece restrições para plantas hospedeiras mantidas fora de áreas comerciais. Nos municípios onde há ocorrência da doença, elas não podem permanecer em propriedades rurais ou áreas urbanas situadas em um raio de quatro quilômetros dos pomares comerciais. Em locais mais distantes, a manutenção é permitida desde que as plantas não apresentem sintomas.
A fiscalização realizada pela Adapar inclui ainda viveiros e estabelecimentos que comercializam mudas. Os produtores e comerciantes precisam estar cadastrados e seguir regras sanitárias, incluindo a proteção das plantas por telas durante a produção e a comercialização. A medida busca evitar que o psilídeo tenha acesso às mudas e contribua para a disseminação da bactéria.
Em municípios onde ainda não há registros confirmados de greening, a fiscalização pode incluir a coleta de folhas de plantas que apresentem sintomas suspeitos. O material é encaminhado ao laboratório da Adapar, em Curitiba, para análise.
Para a técnica do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, Elisangeles Baptista de Souza, o controle precisa ocorrer de forma conjunta entre propriedades próximas. Segundo ela, mesmo quando um produtor mantém o próprio pomar sob monitoramento, o inseto pode chegar de áreas vizinhas e levar a bactéria para plantas saudáveis.
O chefe da Divisão de Sanidade da Citricultura da Adapar, Diego Juliani de Campos, também destaca a importância de acompanhar áreas não comerciais. De acordo com ele, mesmo com um número menor de plantas, esses locais podem contribuir para a manutenção da bactéria e do psilídeo no ambiente.
Com o avanço dos registros no Estado, a orientação aos produtores é manter as inspeções regulares, eliminar plantas infectadas dentro dos prazos determinados e adotar medidas para reduzir a presença do inseto transmissor. A combinação dessas ações busca limitar a disseminação da doença entre propriedades e regiões produtoras.







