O mercado de feijão carioca apresentou comportamento distinto ao longo de abril, conforme dados do indicador Cepea/CNA. Na primeira metade do mês, os preços recuaram diante da dificuldade de repasse ao varejo e de uma postura mais cautelosa por parte dos compradores.
Já na segunda quinzena, o cenário mudou: a redução na oferta, a necessidade de recomposição de estoques e a maior disputa por lotes de melhor qualidade impulsionaram uma recuperação das cotações.
Apesar dessa reação no fim do período, a média mensal ainda ficou abaixo da registrada em março. Mesmo assim, os valores seguem em patamar superior ao observado no mesmo mês do ano passado e acumulam alta expressiva em 2026.
Mercado de feijão

No caso do feijão carioca de melhor qualidade (notas 9 ou superiores), a valorização foi generalizada entre os dias 23 e 29 de abril. Regiões do Paraná, como Curitiba, Castro e Ponta Grossa, registraram aumento de 9,46%. Também houve altas em Itapeva (SP), noroeste de Minas Gerais e no Nordeste do Rio Grande do Sul.
Em Itapeva, o preço atingiu o maior nível entre as áreas acompanhadas, chegando a R$ 395,43 por saca. Ainda assim, a média do mês ficou 2,84% abaixo da de março, embora permaneça 25,8% acima de abril de 2025 e com avanço acumulado de 43,9% no ano.
Para o feijão carioca de padrão intermediário (notas 8 e 8,5), a valorização foi ainda mais intensa em algumas regiões, refletindo a migração da demanda diante da menor disponibilidade de grãos de qualidade superior. O maior destaque foi o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com alta de 23,87% no fim do mês.
Feijão preto

Já o feijão preto manteve um cenário mais pressionado ao longo de abril, influenciado pela maior disponibilidade do produto e pela proximidade da nova safra. A média mensal caiu 8,03% frente a março, sendo a maior retração desde julho do ano passado.
No entanto, no fim do mês houve variações regionais: algumas áreas registraram leve alta, enquanto outras mantiveram queda, especialmente onde a oferta é mais elevada. A comercialização seguiu em ritmo moderado.
Mesmo com a queda recente, os preços do feijão preto permanecem acima dos níveis de abril de 2025 e acumulam valorização no primeiro quadrimestre de 2026, sustentados, em parte, pela redução da área cultivada, ainda que limitados por uma demanda mais fraca.
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