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Retirada de isenções tributárias de defensivos agrícolas aumentaria custos de produção

Audiência pública no STF discutiu o tema, nesta terça (5); CNA afirma que retirada dos benefícios desses insumos impactaria no aumento de preço dos alimentos ao consumidor.

Por Janaina Honorato
Publicado em 05/11/2024 às 20:42
Atualizado em 05/11/2024 às 20:53
Retirada de isenções tributárias de defensivos agrícolas aumentaria custos de produção

Retirada dos benefícios desses insumos impactaria no aumento de preço dos alimentos ao consumidor. Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

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O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou audiência pública nesta terça-feira (5) para debater a possibilidade de retirar benefícios fiscais e isenções tributárias de defensivos agrícolas no Brasil.

O ministro Edson Fachin, vice-presidente do STF, ouviu instituições púbicas e privadas a fim de obter informações técnicas para o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5553, que visa derrubar esses incentivos, o que elevaria os custos de produção dos agrotóxicos para o produtor rural e, consequentemente, o preço dos alimentos.

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Derrubada de isenções tributárias de defensivos agrícolas

Audiência pública no STF discutiu o tema, nesta terça (5).
Audiência pública no STF discutiu o tema, nesta terça (5). Foto: Divulgação/STF

Cerca de 40 representantes de setores como governo, comunidade científica, sociedade civil, dentre outros, expuseram argumentos a favor ou contra a desoneração tributária dos defensivos agrícolas.

Participou da abertura o advogado-geral da União substituto, Flávio José Roman, que defendeu a atual legislação em análise. Segundo ele, a política fiscal para o setor não tem o objetivo de incentivar ou desincentivar o uso de agrotóxicos, os quais integram o processo de produção.

A ação começou a ser julgada em 13 de junho, quando foi lido o relatório do ministro Edson Fachin e apresentadas as manifestações das partes e de terceiros interessados no processo.

Após essa primeira fase, o Plenário atendeu a proposta do relator de realizar a audiência pública para obter esclarecimentos técnicos específicos sobre os efeitos da aplicação dos agrotóxicos e de sua regulamentação frente à nova legislação (Lei 14.785/2023).

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Posição do setor produtivo

Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, em audiência no STF.
Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, em audiência no STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF

De acordo com dados apresentados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), durante a audiência pública no STF, a derrubada desses incentivos tributários nos defensivos agrícolas pode aumentar em R$ 20,8 bilhões ao ano os custos dos produtores brasileiros.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) esteve presente com o diretor técnico, Bruno Lucchi, que falou de se levar em consideração os avanços realizados pelo Congresso Nacional na aprovação da reforma tributária, sendo mais de 25 audiências públicas, debates e estudos apresentados para que o agronegócio tivesse alíquota diferenciada, assim como seus insumos.

“Qualquer medida que vise a retirada dos benefícios tributários desses defensivos vai impactar no aumento de preço do alimento ao consumidor, porque vai aumentar o custo de produção ou a redução do uso, principalmente, por parte dos pequenos produtores, causando prejuízos para eles.”

Bruno Lucchi lembrou ainda que a reforma tributária foi aprovada no ano passado, inserindo na Constituição uma alíquota diferenciada para o agro, com desconto de 60%.

“Com a regulamentação do Projeto de Lei Complementar 68/2024, já foi aprovado na Câmara a lista de insumos agropecuários com a inclusão dos defensivos agrícolas.”

O diretor da CNA observou que outros países do mundo têm tributação reduzida para pesticidas porque são produtos importantes para a produção de alimentos e garantia da segurança alimentar. Portanto, o que foi aprovado no Brasil estaria em consonância com outros países.

Capacitação técnica para uso eficiente de defensivos

Para Lucchi, o produtor rural usa agroquímicos, mas não teria problema em substituir essa tecnologia, caso a pesquisa avance nos biológicos.

“Não é aumentando o custo dos químicos que vamos estimular o uso dos biológicos. Os produtores já fazem isso naturalmente porque é uma tecnologia que dá certo. O produtor brasileiro é ávido por qualquer tecnologia que otimize o processo produtivo”, ressaltou.

Lucchi afirma que a capacitação e assistência técnica do produtor rural contribuem para um uso mais eficiente dos agroquímicos, lembrando o trabalho desempenhado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

“Capacitação e assistência técnica são nossos principais pilares para trabalhar como política pública e corrigir todos os possíveis problemas que nós temos na utilização de desses produtos. Temos que investir em pesquisa, orientação técnica ao produtor e considerar válidos os avanços da reforma tributária para que tenhamos um ambiente de produção harmônico com maior segurança jurídica para todos envolvidos,” finalizou.

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Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5553

Na ADI 5553, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) questiona regras do Convênio 100/1997 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) que reduzem em 60% a base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre agrotóxicos e da legislação tributária que estabelece alíquota zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns desses produtos.

Tags: ADI 5553CNAConvênio 100defensivos agrícolasisenções tributáriasmapaSTF

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