O aumento dos custos dos fertilizantes e a piora da relação de troca com as principais commodities agrícolas acendem um alerta para os produtores rurais que já se preparam para a safra 2026/2027.
Com a maior parte das negociações de insumos concentrada no segundo semestre, o período atual é considerado decisivo para o planejamento financeiro das propriedades.
Custos dos fertilizantes

Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que o volume de fertilizantes nitrogenados e fosfatados importados pelo país entre janeiro e abril deste ano somou 7,4 milhões de toneladas, resultado inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025, quando as compras externas alcançaram 7,7 milhões de toneladas.
Apesar da redução de 4% no volume adquirido, os gastos com importações cresceram 16%, impulsionados pelos reflexos de conflitos internacionais e pelo encarecimento da logística global.
Além da alta dos insumos, outro fator preocupa o setor produtivo, a necessidade de destinar uma quantidade maior de soja e milho para adquirir o mesmo volume de fertilizantes. Segundo a CNA, a relação de troca está mais desfavorável do que a observada em 2022, período marcado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Preço médio da ureia

Dados do projeto Campo Futuro, desenvolvido pelo Sistema CNA/Senar, mostram que o preço médio da ureia ao produtor aumentou cerca de 40% durante o período de instabilidade no Oriente Médio. Entre os fertilizantes fosfatados, o MAP registrou valorização de aproximadamente 20%. Em contrapartida, os preços da soja e do milho permaneceram praticamente estáveis, com variações inferiores a 1%.
A forte dependência do mercado externo continua sendo um dos principais desafios para o agronegócio brasileiro. Atualmente, cerca de 93% dos fertilizantes utilizados no país são importados, tornando o setor vulnerável a crises geopolíticas, restrições comerciais e problemas logísticos internacionais que impactam diretamente os custos de produção.
Diante desse cenário, o mercado vem passando por ajustes na origem dos produtos adquiridos. Em 2025, a China assumiu a liderança entre os fornecedores de fertilizantes para o Brasil, ultrapassando a Rússia.







