Uma pesquisa conduzida pela Embrapa Meio Ambiente, em São Paulo, identificou que o uso de fungicidas pode interferir diretamente no desenvolvimento de abelhas sem ferrão da espécie Scaptotrigona depilis.
O estudo avaliou como um fungicida químico e um biológico atuam sobre os microrganismos presentes no alimento das larvas, composto por pólen e secreções produzidas pelas operárias.
Uso de fungicidas nas abelhas ferrão

Os resultados indicaram que ambos os produtos impactam o complexo fúngico associado às larvas, responsável por funções fundamentais como a digestão e o fornecimento de nutrientes. Esses fungos vivem em relação simbiótica com as abelhas, contribuindo para o crescimento saudável das colônias.
De acordo com a pesquisadora Simone Prado, foram testadas diferentes concentrações dos fungicidas, com acompanhamento do desenvolvimento dos fungos por meio da contagem de esporos e de análises moleculares. O objetivo foi identificar a presença de dois microrganismos considerados essenciais nesse processo.
No caso do fungicida biológico, os efeitos variaram conforme a dose aplicada. Em concentrações intermediárias, houve estímulo ao crescimento dos fungos, com aumento na formação de esporos em comparação ao grupo de controle. Já em níveis mais elevados, o produto passou a reduzir esse desenvolvimento, indicando que o uso excessivo também pode trazer prejuízos.
Fungicida químico

Por outro lado, o fungicida químico apresentou impacto mais intenso. A partir de determinadas concentrações, houve inibição total da esporulação dos fungos, além da ausência dos microrganismos nas análises laboratoriais, o que aponta para a eliminação completa desses simbiontes no alimento larval.
As doses utilizadas no estudo seguiram parâmetros compatíveis com a aplicação em campo, o que reforça a relevância prática dos resultados. Segundo os pesquisadores, embora não provoquem morte imediata das abelhas, os fungicidas podem comprometer processos essenciais ao ciclo de vida desses insetos, afetando a manutenção das colônias.
Os dados também indicam que alternativas biológicas tendem a ser menos agressivas aos microrganismos associados às abelhas, mantendo sua presença mesmo em níveis mais altos. O resultado reforça a necessidade de atenção ao uso desses insumos e seus possíveis efeitos sobre organismos importantes para a polinização e o equilíbrio dos ecossistemas.







