As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia registraram crescimento de 14,8% em valor entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo complexo soja, produtos florestais e frutas, além da expansão das vendas de itens como abacate, óleo de milho e café.
Exportações do agronegócio brasileiro

O complexo soja, que reúne grãos, farelo e óleo, permaneceu na liderança das exportações brasileiras para o bloco europeu. A receita do segmento passou de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões, aumento de 34,2%. Em volume, os embarques cresceram 20,5%.
Entre os produtos do complexo, a soja em grãos apresentou alta de 49% em valor e 35,1% em volume. As vendas de farelo também avançaram, com crescimento de 22,5% na receita e de 10,6% na quantidade exportada.
Outro destaque foram os produtos florestais, cuja receita aumentou 23%, passando de US$ 1,20 bilhão para US$ 1,48 bilhão. O volume embarcado teve alta mais moderada, de 2,6%. Já as exportações de frutas, nozes e castanhas somaram US$ 315 milhões, ante US$ 274 milhões no período anterior, crescimento de 15% em valor e 2% em volume.
Abacate, óleo de milho e café ampliam vendas
Entre os produtos individuais, o abacate apresentou o maior crescimento percentual em valor. As exportações saltaram de US$ 3,81 milhões para US$ 19,87 milhões, avanço de 421,2%. O volume embarcado aumentou 433,7%.
O óleo de milho bruto também registrou expansão expressiva. A receita passou de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões, alta de 266,3%. Em volume, o crescimento foi de 205,8%.
Outras frutas brasileiras também ampliaram as vendas para o mercado europeu. As exportações de manga cresceram 31,2% em valor e 23,6% em volume. No caso da maçã, os avanços foram de 28,8% e 33,7%, respectivamente.
No setor cafeeiro, o café torrado teve aumento de 91,6% na receita e de 116,5% no volume exportado. As vendas de café solúvel cresceram 19% em valor e 38,2% em quantidade.
Acordo comercial prevê redução de tarifas

Desde 1º de maio de 2026, o acordo comercial estabelece reduções tarifárias para produtos agropecuários brasileiros, conforme os prazos negociados entre as partes. Entre os itens que já recebem benefícios estão o café torrado, o café solúvel e o abacate.
Para os dois tipos de café, a redução dos impostos de importação será gradual, com previsão de eliminação completa em 2030. No caso do abacate, o primeiro corte correspondeu a 20% da tarifa-base, também com previsão de liberalização total até 2030.
O acordo contempla ainda condições de acesso ao mercado europeu para carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Para determinados produtos, os benefícios estão vinculados a cotas de importação, com limites de volume e condições específicas.
Como a redução tarifária será implementada gradualmente em diferentes setores, os resultados registrados nos primeiros meses representam uma etapa inicial dos efeitos do acordo sobre o comércio entre os dois mercados.
Brasil mantém superávit no comércio agropecuário
No sentido contrário, as importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais da União Europeia totalizaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro de 2026. O valor representa aumento de 3,3% em relação aos US$ 1,62 bilhão registrados no mesmo intervalo de 2025.
Em volume, as compras passaram de 578,6 mil para 617,9 mil toneladas, crescimento de 6,8%. Entre os produtos importados estão bebidas, itens florestais, produtos de origem vegetal, hortícolas, cereais e farinhas.
As maiores altas percentuais ocorreram nas compras de sucos, com avanço de 41,1%, pescados (33,8%), frutas (29,2%), chá, mate e especiarias (28,1%) e produtos florestais (14,3%).
Apesar do aumento das importações, o Brasil ampliou o saldo positivo no comércio agropecuário com a União Europeia. O superávit passou de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões, crescimento de 17% na comparação entre os períodos.







