O Índice de Preços ao Produtor (IPP) da indústria recuou 0,83% em julho de 2026, na comparação com junho, segundo os dados divulgados pelo IBGE. O resultado mantém a trajetória negativa registrada no mês anterior, quando os preços haviam caído 0,81%.
Para o agronegócio, um dos principais pontos do levantamento está no comportamento dos preços da indústria de alimentos. No acumulado em 12 meses, o segmento exerceu a maior influência negativa sobre o resultado geral do IPP, com impacto de -0,78 ponto percentual.
Índices de Preços ao Produtor

O dado indica que os preços dos produtos alimentícios na saída das fábricas contribuíram para limitar a alta acumulada dos preços industriais no período.
O IPP considera os valores dos produtos na porta de fábrica, sem a incidência de impostos e custos de frete. O indicador acompanha tanto as indústrias extrativas quanto as de transformação e permite observar movimentos de preços que afetam diferentes etapas das cadeias produtivas.
No acumulado de janeiro a julho, os preços industriais avançaram 3,09%. Entre os segmentos com maiores altas nesse período estão borracha e plástico, com aumento de 14,35%, e outros produtos químicos, que registraram alta de 11,51%. Esses setores têm ligação direta com diferentes atividades do campo, especialmente pelo fornecimento de insumos utilizados na produção agropecuária.
Na comparação de julho com junho, porém, os preços dos bens intermediários recuaram 1,83%. Essa categoria, que representa 54,10% da composição do IPP, respondeu sozinha por -1,00 ponto percentual da queda de 0,83% registrada pela indústria. O movimento é relevante para o agronegócio porque reúne produtos utilizados como insumos e componentes ao longo das cadeias produtivas.
Categorias econômicas

Entre as grandes categorias econômicas, os bens de capital tiveram alta de 2,75% em julho, enquanto os bens intermediários caíram 1,83% e os bens de consumo recuaram 0,10%. No acumulado do ano, os bens intermediários registraram alta de 3,96%, acima das variações observadas nos bens de capital, de 2,84%, e nos bens de consumo, de 1,92%.
Em 12 meses, o IPP acumulou alta de 1,94%, abaixo dos 2,47% registrados até junho. Nesse intervalo, os preços dos bens intermediários subiram 2,16%, enquanto os bens de capital avançaram 3,70% e os bens de consumo tiveram alta de 1,27%.
Outro movimento de destaque foi registrado pelas indústrias extrativas, que apresentaram queda de 4,38% nos preços em julho. Foi o terceiro mês consecutivo de retração no segmento, que contribuiu negativamente para o resultado geral da indústria.
No conjunto, os dados mostram um cenário de pressão baixista sobre os preços industriais em julho, com destaque para setores ligados a matérias-primas, insumos e alimentos. Para o agro, a evolução desses preços pode afetar tanto os custos de produção quanto os valores recebidos ao longo das cadeias de processamento e comercialização de produtos agrícolas e pecuários.







