Os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima e da Fazenda divulgaram os resultados do quarto leilão do programa Eco Invest Brasil, iniciativa voltada à ampliação de investimentos em projetos ligados à bioeconomia, infraestrutura sustentável e turismo de baixo impacto ambiental.
A rodada marca a primeira incorporação das diretrizes do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio), criado para fortalecer cadeias produtivas associadas à biodiversidade brasileira e estimular atividades econômicas sustentáveis ao longo da próxima década.
Programa Eco Invest Brasil

O leilão reuniu oito instituições financeiras, entre bancos públicos e privados, que apresentaram propostas para acessar recursos públicos destinados a estimular investimentos privados. Ao fim da disputa, foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital público da linha principal, montante que deverá viabilizar cerca de R$ 13,2 bilhões em investimentos totais nos setores considerados estratégicos.
A maior parte dos recursos previstos será direcionada à Amazônia Legal, que deve concentrar aproximadamente R$ 9 bilhões dos investimentos estimados. Segundo as regras do programa, os projetos de infraestrutura financiados pelo leilão precisam ser executados na região, além da exigência de que ao menos 25% das carteiras de investimento dos demais eixos também sejam destinados à Amazônia.
Entre os segmentos contemplados, a infraestrutura de baixo carbono aparece como prioridade. Cerca de R$ 7,9 bilhões devem ser aplicados em áreas como energia, saneamento, conectividade e logística sustentável. A proposta é reduzir gargalos históricos que dificultam o escoamento da produção, elevam custos e limitam o desenvolvimento das cadeias da bioeconomia e da sociobioeconomia amazônica.
Bioeconomia

Os investimentos voltados diretamente à bioeconomia representam quase 10% do total previsto para a Amazônia Legal, enquanto o turismo sustentável concentra uma fatia menor dos recursos. aproximadamente R$ 2 bilhões.
O programa utiliza o modelo conhecido como blended finance, mecanismo que combina recursos públicos e privados para ampliar a capacidade de investimento. Nesse formato, o Tesouro Nacional concede empréstimos às instituições financeiras com juros reduzidos, condicionando a liberação dos recursos à captação de capital privado, inclusive internacional. A expectativa é de que mais da metade do volume financeiro total venha do exterior.
Além da linha principal de financiamento, o leilão também estreou uma modalidade complementar destinada à redução de riscos dos projetos. Os recursos poderão ser usados em assistência técnica, mecanismos de garantia e pequenas obras de infraestrutura capazes de aumentar a viabilidade econômica de empreendimentos ligados à bioeconomia.







