A produção brasileira de pescados oriundos da aquicultura mantém ritmo de expansão próximo de 10% ao ano, mesmo diante da alta dos custos de produção e de um cenário internacional marcado por conflitos e mudanças nas tarifas comerciais.
O avanço, porém, ocorre em um mercado no qual o produto nacional ainda encontra dificuldades para disputar espaço com os importados.
Produção brasileira de pescados

O consumo de pescado no Brasil permanece relativamente estável, o que mantém aberta uma parcela significativa do mercado interno. Mesmo com essa demanda, o país continua recorrendo a grandes volumes de produtos estrangeiros para abastecer os consumidores, cenário refletido no saldo negativo da balança comercial do setor.
A competitividade da aquicultura depende tanto da eficiência dentro das propriedades quanto de fatores externos. No campo, indicadores como manejo, conversão alimentar, crescimento e sobrevivência dos animais colocam a produção brasileira de espécies como tilápia, tambaqui e camarão em condições semelhantes às observadas em países concorrentes.
O país também conta com uma vantagem na disponibilidade de matérias-primas utilizadas na fabricação de ração, como grãos, farelos vegetais e produtos de origem animal. A alimentação, no entanto, não é suficiente para compensar outros custos que pesam sobre a atividade.
Entre os principais entraves estão o transporte, o preço dos combustíveis, o custo e a qualidade do fornecimento de energia elétrica, especialmente nas áreas rurais, além da carga tributária, despesas com mão de obra, juros e burocracia necessária para manter os empreendimentos regularizados.
Importado chega abaixo do custo nacional

A diferença fica mais evidente no caso da tilápia. As importações tiveram forte crescimento e atingiram o ponto mais alto durante o período da Quaresma deste ano. Depois da Semana Santa, os volumes recuaram, movimento associado tanto à redução sazonal da demanda quanto à adoção de barreiras às importações por alguns estados.
Mesmo com a queda, o preço de entrada do produto permaneceu próximo de US$ 4,17 por quilo, equivalente a cerca de R$ 21,48 na cotação de julho de 2026, considerando o valor CIF. O montante fica abaixo do custo estimado para a produção brasileira de filé de tilápia, calculado em aproximadamente R$ 30 por quilo.
No caso do produto embarcado pelo Vietnã, o preço médio informado é de US$ 4,06 por quilo, ou cerca de R$ 20,91. Considerando apenas o rendimento de filé de uma tilápia inteira, estimado em 32%, o equivalente seria de aproximadamente R$ 6,69 por quilo do peixe vivo. Quando entram na conta os custos de processamento e embalagem, a estimativa para a matéria-prima naquele mercado fica entre R$ 5,50 e R$ 5,75 por quilo.
Os valores ajudam a explicar a dificuldade enfrentada pela produção nacional para competir no mercado de massa. Levantamentos do Projeto Campo Futuro da Aquicultura, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apontam custos superiores na produção brasileira.
O camarão também enfrenta cenário semelhante. O Peru aparece como principal fornecedor de camarão processado ao Brasil, com preço médio de entrada de aproximadamente US$ 9,30 por quilo, equivalente a R$ 47,90 em julho de 2026. Na comparação com o camarão de cerca de 15 gramas processado no país, o produto importado chega a valores próximos aos custos brasileiros.
Aplicando uma estimativa semelhante à utilizada para a tilápia, o valor da matéria-prima no Peru ficaria perto de R$ 19 por quilo do animal vivo, também abaixo dos custos registrados entre produtores brasileiros.







