Um filhote de macaco-prego com leucismo foi registrado no Parque Nacional de Ubajara, no Ceará. O animal pertence à espécie Sapajus libidinosus e apresenta uma mutação genética rara que provoca redução parcial da pigmentação da pele e dos pelos.
O leucismo é uma condição genética caracterizada pela diminuição da melanina, pigmento responsável pela coloração da pele e da pelagem. Diferentemente do albinismo, em que há ausência total de pigmentação, indivíduos com leucismo apresentam perda parcial da cor e, na maioria dos casos, mantêm os olhos com coloração normal.
Filhote de macaco-prego com leucismo

De acordo com o coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Leandro Jerusalinsky, variações genéticas como essa fazem parte da diversidade natural das espécies.
Segundo ele, assim como ocorre com os seres humanos, populações de animais apresentam diferentes características genéticas que podem influenciar aspectos como a cor da pelagem, resistência a doenças e outras características biológicas.
O especialista explica que algumas dessas variações são raras e podem surgir quando determinados genes herdados do pai e da mãe se combinam. Em alguns casos, mutações podem aparecer de forma aleatória ou estar associadas ao isolamento de populações.
Quando grupos de animais ficam restritos a áreas fragmentadas, aumenta a possibilidade de cruzamentos entre indivíduos aparentados, o que pode favorecer a expressão de características genéticas incomuns.
“Essas variações podem influenciar aspectos como cor da pelagem, resistência a doenças e outras características biológicas. Algumas delas são mais raras e podem aparecer quando o indivíduo recebe determinados genes do pai e da mãe”, detalha.
Apesar disso, nem sempre essas variações representam um problema para os animais. Em muitos casos, trata-se apenas de uma característica diferente dentro da variabilidade natural da espécie, sem impacto significativo na sobrevivência do indivíduo. Ainda assim, o acompanhamento da população é importante para entender se o caso é isolado ou se pode indicar mudanças na diversidade genética do grupo.
Para a pesquisadora do ICMBio Tatiana Valença, o registro de mutações raras em populações silvestres tem relevância científica, pois contribui para avaliar a saúde genética das espécies. O monitoramento contínuo permite identificar possíveis sinais de redução da variabilidade genética e orientar estratégias de manejo e conservação quando necessário.
Ela destaca ainda que a população de macacos-prego do parque é especialmente importante para estudos científicos. Esses primatas apresentam comportamentos raros de uso de ferramentas, como o uso de pedras para cavar o solo e de varetas para sondar invertebrados.
“Preservar essas populações também significa proteger comportamentos culturais importantes para a compreensão da cognição dos primatas e da evolução do comportamento animal”, afirma.
Segundo o chefe do parque, Diego Rodrigues, o monitoramento da fauna ocorre por meio da combinação de pesquisas científicas autorizadas pelo instituto, protocolos institucionais de acompanhamento e registros realizados pela própria equipe da unidade durante as atividades de gestão.
Ele ressalta que registros como o do filhote com leucismo demonstram a importância das unidades de conservação para a proteção da biodiversidade e para a produção de conhecimento científico.
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