A presença da harpia, considerada o maior gavião das Américas, foi confirmada no Parque Nacional da Serra das Lontras, no sul da Bahia.
O registro, feito por pesquisadores em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Projeto Harpia Mata Atlântica, é apontado como um avanço relevante para o monitoramento da fauna na região.
Maio gavião das Américas

A ocorrência da espécie já era considerada possível por equipes que atuam na área, mas a confirmação trouxe novo impulso às ações de conservação conduzidas pelo Núcleo de Gestão Integrada (NGI) de Ilhéus, responsável também por outras unidades ambientais na região. Segundo técnicos envolvidos, o achado fortalece o trabalho voltado à preservação da biodiversidade local.
Criado em 2010, o parque abrange mais de 11 mil hectares e reúne áreas destinadas à proteção ambiental, pesquisas científicas e visitação controlada. A região onde houve o registro marca o limite mais ao norte da Mata Atlântica com ocorrências recentes da espécie, o que amplia sua relevância ecológica.
Especialistas destacam que a manutenção da harpia depende não apenas da proteção das áreas de conservação, mas também da preservação de sistemas tradicionais como a cabruca, modelo agroflorestal de cultivo de cacau sob árvores nativas. Esse tipo de uso do solo contribui para a conexão entre fragmentos florestais, fator essencial para a sobrevivência da fauna.
Nascimento de filhote

Além do registro no parque, outro fato chamou a atenção de pesquisadores no sul do estado, o nascimento de um filhote de harpia na Reserva Particular do Patrimônio Natural Estação Veracel. O caso é considerado o único com sucesso reprodutivo monitorado na Mata Atlântica em 2026 dentro de uma área reconhecida oficialmente como reserva privada.
A área já havia sido cenário de um marco anterior, com o primeiro ninho documentado da espécie no bioma em 2005. Nos últimos anos, no entanto, não havia registros de reprodução bem-sucedida, apenas de tentativas de reconstrução de ninhos. O novo nascimento interrompe esse intervalo e reacende expectativas sobre a recuperação da espécie na região.
Pesquisadores avaliam que a presença de um filhote ativo indica condições ambientais favoráveis, como a existência de florestas preservadas, oferta de presas e árvores de grande porte capazes de sustentar ninhos, que podem chegar a até 100 quilos.
O acompanhamento do filhote é feito de forma remota, com técnicas que evitam interferências no ambiente natural. A previsão é que, ao atingir cerca de seis meses, a ave seja equipada com um rastreador GPS, o que permitirá a coleta de dados sobre deslocamento e comportamento, contribuindo para ações futuras de conservação.







