O acesso ao crédito rural para tecnologias de melhoramento genético na pecuária foi ampliado após decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN).
A medida, formalizada pela Resolução nº 5.288, inclui novas possibilidades de financiamento dentro do Programa de Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro).
Financiamento para melhoramento genético da pecuária sustentável
Com a mudança, produtores passam a poder contratar crédito para aquisição de sêmen, óvulos e embriões de bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos, além de custear serviços como inseminação artificial e transferência de embriões. Essas tecnologias são consideradas estratégicas para elevar a eficiência produtiva e reduzir impactos ambientais na atividade pecuária.
A nova regra também retira limites proporcionais para esse tipo de investimento dentro dos projetos financiados, permitindo que todo o valor disponível, atualmente de até R$ 5 milhões por produtor no RenovAgro, seja utilizado nessas finalidades. O prazo de pagamento pode chegar a cinco anos, com até 12 meses de carência.

Estudos apontam que o uso de biotecnologias reprodutivas pode gerar ganhos relevantes tanto na produtividade quanto na sustentabilidade. Estudos indicam que a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), por exemplo, pode reduzir significativamente a emissão de gases de efeito estufa por unidade produzida, além de melhorar indicadores zootécnicos, como idade ao primeiro parto e taxa de desmame.
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Na prática, sistemas mais eficientes permitem produzir mais com menos recursos. A redução do intervalo entre partos, o aumento da produtividade do rebanho e a diminuição da necessidade de matrizes contribuem para menor consumo de insumos e menor emissão de metano, um dos principais gases associados à pecuária.
A resolução também atualiza regras do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ampliando o acesso de pequenos produtores às mesmas tecnologias, especialmente na pecuária leiteira, com condições de financiamento diferenciadas.
A ampliação do crédito ocorre em um momento em que o setor busca equilibrar aumento da produção com redução de impactos ambientais, diante da crescente demanda por alimentos e das exigências por práticas mais sustentáveis no campo.








