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Coinoculação reduz em 50% emissão de gás de efeito estufa em lavouras de feijão

Estudo da Embrapa mostra que combinação de bactérias fixadoras de nitrogênio e produtoras de hormônio vegetal pode reduzir em até metade a emissão de óxido nitroso no Cerrado.

Por Arieny Alves
Publicado em 27/01/2026 às 09:00
Atualizado em 27/01/2026 às 09:49
Coinoculação reduz em 50% emissão de gás de efeito estufa em lavouras de feijão

Foto: Márcia Thaís/Embrapa

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Uma pesquisa da Embrapa revela que a coinoculação, técnica que combina bactérias fixadoras de nitrogênio e produtoras de hormônio vegetal, pode reduzir em até 50% a emissão de óxido nitroso, gás de efeito estufa mais potente que o dióxido de carbono, em lavouras de feijão no Cerrado.

O resultado se aplica a sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e supera a eficiência da ureia, fertilizante sintético tradicionalmente usado como fonte de nitrogênio.

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Coinoculaçao nas lavouras de feijão

Feijão
Foto: Envato

O óxido nitroso é um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento global superior ao do dióxido de carbono e duração maior que a do metano. Ele é formado pela perda de nitrogênio do solo para a atmosfera, e sua redução é fundamental para a mitigação das mudanças climáticas.

O estudo foi conduzido em uma área de 7,5 hectares na Fazenda Capivara, da Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás (GO), que mantém o sistema ILP há 20 anos. Nesse modelo, capim braquiária é cultivado por três anos consecutivos e utilizado para alimentação do gado de corte durante a seca.

Depois desse período, a forrageira é dessecada e se estabelece o cultivo de grãos sobre a palhada, em plantio direto, respeitando rotações de culturas e mantendo os ciclos de pastagem.

Durante as safras de verão de 2019/2020 e 2021/2022, a pesquisa avaliou a variedade feijão carioca BRS FC104, comparando o uso da ureia (200 a 280 kg por hectare, aplicada de forma parcelada) com a coinoculação.

Esta última utilizou três espécies de bactérias Rhizobium no tratamento de sementes para promover a fixação biológica de nitrogênio (FBN) e aplicação de Azospirillum brasilense sobre plantas e solo, estimulando a produção de ácido indol acético e o desenvolvimento vegetal.

Segundo Márcia Thaís, pesquisadora da Embrapa, embora o uso de rizóbios e Azospirillum como fonte de nitrogênio não seja novidade, ainda há poucos estudos em ambientes de integração lavoura-pecuária. Solos maduros de ILP, como os da Fazenda Capivara, apresentam qualidade física, química e biológica diferenciada, favorecendo a FBN, mantendo produtividade e reduzindo a dependência de fertilizantes sintéticos.

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Resultados da pesquisa

Safra de feijão
Foto: Envato

A pesquisa apontou ainda que, mesmo com o uso de ureia, o fator de emissão de óxido nitroso variou entre 0,1% e 0,4%, índice abaixo dos padrões indicados pelo IPCC.

A demanda por bioinsumos e inoculantes como alternativa aos fertilizantes tradicionais vem impulsionando pesquisas em todo o país. Na Embrapa Soja, por exemplo, o uso de estirpes selecionadas de Azospirillum brasilense em gramíneas como milho já mostrou aumento de cerca de 25% na eficiência do nitrogênio aplicado.

Rodrigo Garcia, da Embrapa Agropecuária Oeste (MS), reforça que o crescimento do setor de bioinsumos, aliado a práticas conservacionistas como diversificação de cultivos e plantio direto, contribui para uma agricultura mais sustentável e produtiva.

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Tags: bioinsumoscoinoculaçãogás do efeito estufalavouras de feijão

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