As condições climáticas vêm elevando a preocupação dos produtores da segunda safra no Paraná e em Mato Grosso do Sul.
A combinação entre estiagem, atraso no plantio e previsão de frio intenso nas próximas semanas aumenta o risco de perdas nas lavouras de milho e feijão, principalmente nas áreas em fase mais sensível de desenvolvimento.
Perdas na segunda safra

O atraso na colheita de culturas anteriores comprometeu a janela ideal de semeadura em algumas regiões, expondo as lavouras ao período de redução das chuvas e à chegada das massas de ar frio típicas do mês de maio. Durante a implantação do milho e do feijão, a diminuição no volume de precipitações já havia afetado o desenvolvimento inicial das plantas, sobretudo no oeste do Paraná e no sul do Mato Grosso do Sul.
Ao longo de abril e início de maio, as duas culturas entraram em estágios críticos de desenvolvimento justamente em um cenário de baixa disponibilidade hídrica. Mesmo com o retorno das chuvas entre o fim de abril e os primeiros dias de maio, os prejuízos causados pela estiagem já são considerados significativos em diversas áreas produtoras.
Agora, a previsão meteorológica indica o avanço de uma forte massa de ar polar sobre o Sul do Brasil, sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. A expectativa é de queda acentuada das temperaturas e possibilidade de geadas em diferentes regiões, cenário que amplia o risco para as lavouras de verão ainda em campo.
No Paraná, uma das regiões que mais preocupa é o núcleo de Ponta Grossa, onde há cerca de 33 mil hectares cultivados com milho safrinha. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral) apontam que aproximadamente 95% dessa área está em fases sensíveis ao frio, sendo parte em floração e outra em enchimento de grãos. A previsão de temperaturas mínimas próximas de 3,6 °C nos próximos dias aumenta o temor de impactos na polinização e na formação dos grãos, o que pode comprometer a produtividade.

Especialistas alertam que o período de estiagem registrado em abril também deixou as plantas mais vulneráveis ao estresse térmico. A associação entre falta de água e frio intenso pode provocar danos severos, principalmente em áreas com maior risco de geada.
No caso do feijão, os efeitos podem ser ainda mais intensos. As baixas temperaturas favorecem o abortamento floral e reduzem a formação de vagens. Já durante o enchimento dos grãos, a geada pode causar deformações, perda de peso e diminuição da qualidade da produção.
Por outro lado, culturas de inverno em fase inicial, como trigo, aveia, canola e pastagens, não devem sofrer impactos expressivos neste momento.
A previsão do tempo para os próximos dias também indica a passagem de uma frente fria sobre a Região Sul, com possibilidade de chuvas fortes e temporais em áreas do sudoeste e centro-sul do Paraná, além do norte de Santa Catarina. Em alguns pontos, os acumulados podem superar 80 milímetros.







