A produção de arroz em Mato Grosso caiu 37,94% na última década, acompanhando a redução da área destinada ao cultivo do cereal.
Entre as safras 2015/2016 e 2025/2026, o espaço plantado passou de 152,50 mil para 74,10 mil hectares, uma diminuição de 51,41%. Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), analisados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que, apesar dos ganhos de produtividade, o estado enfrenta dificuldades para ampliar a participação na produção nacional.
Produção de arroz em Mato Grosso

Quarto maior produtor do cereal no país, Mato Grosso convive com entraves que vão desde os custos de produção até a logística e a comercialização. A distância dos armazéns especializados também pesa na decisão dos agricultores sobre investir na cultura.
No período analisado, a produtividade média das lavouras mato-grossenses aumentou 27,71%. O avanço, no entanto, não compensou a perda de área cultivada. Com isso, a produção estadual recuou de 438,60 mil para 272,20 mil toneladas.
A expansão de outras culturas, que passaram a ocupar espaço no planejamento agrícola, ajuda a explicar a mudança. Além disso, a dificuldade para negociar o cereal e a falta de estrutura própria de armazenagem tornam o investimento mais arriscado, principalmente para produtores que dependem de terceiros para receber e comercializar a safra.
Produção nacional

Enquanto Mato Grosso perdeu espaço no cultivo, o Brasil apresentou crescimento na produção de arroz entre as safras 2015/2016 e 2025/2026. No período, a área plantada no país diminuiu 24,45%, mas o aumento de 38,31% na produtividade média contribuiu para elevar a produção em 4,46%, chegando a 11,08 milhões de toneladas.
A região Sul concentra aproximadamente 83% do volume produzido no país. O Rio Grande do Sul lidera o ranking nacional e respondeu por 70,62% da produção brasileira na safra 2025/2026, com 7,82 milhões de toneladas.
O consumo interno também apresentou crescimento. Segundo o levantamento do Imea, a demanda brasileira passou de 10,50 milhões de toneladas na safra 2021/2022 para 10,80 milhões em 2025/2026, uma alta de 2,79%.
Além de abastecer o mercado interno, o Brasil participa do comércio internacional do cereal. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), reunidos pelo instituto, apontam que o país exportou 1,31 milhão de toneladas entre janeiro e setembro de 2026, com receita de US$ 388,66 milhões.
Em Mato Grosso, os embarques somaram 3,37 mil toneladas no mesmo intervalo, movimentando US$ 2,03 milhões.







