Um levantamento internacional divulgado durante a Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) indica um cenário crítico para os peixes migratórios de água doce.
De acordo com a avaliação, 97% das espécies já listadas pela convenção estão ameaçadas de extinção, reforçando o grau de vulnerabilidade desse grupo no mundo.
Peixes migratórios de água doce

Produzido em parceria entre organismos internacionais e instituições de pesquisa, o estudo é considerado o mais abrangente já realizado sobre essas espécies.
Os dados mostram que os peixes migratórios de água doce estão entre os vertebrados mais impactados por pressões ambientais, como alterações no fluxo dos rios, degradação de habitats, poluição e exploração excessiva.
Esses fatores têm contribuído para uma redução expressiva das populações ao longo das últimas décadas. Estimativas globais indicam que, desde a década de 1970, houve perdas significativas, em alguns levantamentos, superiores a 80%, associadas principalmente à intervenção humana nos ecossistemas aquáticos
Apesar de apenas 24 espécies constarem atualmente nos anexos da CMS, o relatório identificou 349 espécies que atendem aos critérios da convenção. Isso sugere que a maioria ainda não reconhecida formalmente pode estar sob algum nível de ameaça. A distribuição geográfica dessas espécies evidencia maior concentração de casos na Ásia, seguida pela América do Sul e Europa.
Bacias hidrográficas

O estudo também chama atenção para grandes bacias hidrográficas onde a cooperação entre países é considerada essencial para a conservação, como Amazônia, Prata-Paraguai-Paraná, Mekong e Nilo.
Na região amazônica, por exemplo, foram registradas espécies em condição desfavorável de conservação, especialmente aquelas de longa migração.
Entre elas estão bagres de grande porte e espécies amplamente exploradas pela pesca. Algumas realizam deslocamentos de milhares de quilômetros ao longo dos rios, o que as torna ainda mais suscetíveis a barreiras físicas, como hidrelétricas, além de mudanças ambientais.
Além do impacto ecológico, esses peixes têm relevância econômica significativa. Em determinadas regiões, representam a maior parte das capturas pesqueiras e movimentam milhões de dólares anualmente, sustentando cadeias produtivas e comunidades locais.







