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Secas atrasam em 20 anos reposição de madeira em florestas manejadas

Pesquisa realizada durante 20 anos no Amazonas mostra que, estiagem impacta na mortalidade de árvores e atrasa retorno dos estoques de madeira comercial.

Por Janaina Honorato
Publicado em 04/09/2024 às 09:04
Secas atrasam em 20 anos reposição de madeira em florestas manejadas

Secas sucessivas impactam na recomposição dos estoques de madeira comercial. Foto: Divulgação

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Uma pesquisa mostrou que para recuperar o volume de madeira comercial extraído em um ciclo de corte, as florestas manejadas podem precisar de cerca de 45 anos, por conta de secas sucessivas, sendo que o normal são ciclos de 25 anos.

O atraso em 20 anos na recomposição da madeira extraída da floresta, com a ocorrência de estiagens seguidas ao longo dos anos e a mortalidade das árvores, é uma constatação de um estudo da Embrapa Acre, que avaliou a dinâmica de regeneração florestal em áreas de manejo do interior do Amazonas.

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Secas impactam produção de madeira em floresta manejada

Ramal de acesso à floresta da Fazenda Iracema, no município de Lábrea (AM).
Ramal de acesso à floresta da Fazenda Iracema, no município de Lábrea (AM). Foto: Marcus Vinício D’Oliveira

Para conhecer os impactos da exploração madeireira na regeneração da floresta e a evolução desse processo, os pesquisadores monitoraram uma área de 600 hectares, da Fazenda Iracema, localizada no município de Lábrea, no Amazonas, entre os anos 2000 e 2022.

Dividida em parcelas permanentes, a floresta recebeu medições antes e logo após o corte, durante sete vezes, em diferentes momentos da pesquisa, em campo e com auxílio de drones com sensores remotos. Foram avaliados indicadores de desenvolvimento: biomassa acima do solo (madeira), ingresso de novas árvores, índice de crescimento de árvores residuais e taxa de mortalidade de plantas.

Segundo o pesquisador da Embrapa Acre, Marcus Vinício Neves d´Oliveira, coordenador do estudo, as primeiras avaliações mostraram alta taxa anual de mortalidade de árvores de cerca de 5%, logo após o corte, e alto crescimento das árvores.

O corte e a retirada de madeira abrem espaços na floresta, o que reduz a competição entre as plantas por luz, água e nutrientes, favorecendo o desenvolvimento de árvores remanescentes e novas, fatores cruciais para a regeneração florestal.

A expectativa dos pesquisadores, depois desse primeiro momento, era a floresta começar a crescer de forma efetiva e se recuperar em 20 a 25 anos, tempo considerado suficiente para a recomposição integral de áreas manejadas na Amazônia, onde são aplicadas técnicas de impacto reduzido. Mas o volume de madeira comercial cresceu de forma lenta.

“Os eventos climáticos tornaram o crescimento da floresta mais lento, uma vez que o ganho pelo crescimento e novos ingressos de árvores era perdido, em boa parte, pela mortalidade. Esse fator está diretamente relacionado a secas prolongadas na região, causadas como efeito do El Niño, evento climático que reduz o período de chuvas e aumenta a estiagem”, afirma.

Recuperação parcial dos estoques de madeira

Exploração de madeira comercial é feito em árvores com diâmetro acima de 50 cm.
Exploração de madeira comercial é feito em árvores com diâmetro acima de 50 cm. Foto: Embrapa/Acre

Em relação à biomassa, a floresta se regenerou completamente, após 20 anos de exploração. O estoque calculado foi semelhante ao existente antes do corte, com crescimento de árvores remanescentes e das ingressantes (com o tamanho mínimo de 10 cm de diâmetro entre as medições).

Entretanto, a recomposição dos estoques de madeira comercial extraídos foi parcial, por conta da alta taxa de mortalidade das árvores maiores. O resultado, é uma floresta mais jovem, com predominância de árvores menores.

É positivo ter uma floresta renovada, mas a redução do número de árvores grandes atrasa o ciclo do manejo florestal, uma vez que o corte e a exploração de madeira comercial, de acordo com a legislação florestal, só devem ser feitos em árvores com diâmetro acima de 50 centímetros, medidos na altura do peito ou 1,30 metro do solo.

“Considerando a média atual de crescimento das árvores, estimamos que essa floresta ainda levará cerca de 20 anos para recuperar o estoque de madeira comercial original”, ressalta d´Oliveira.

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Como funciona as florestas manejadas

A madeira vinda de florestas naturais manejadas é a principal fonte de arrecadação de recursos e de geração de empregos em muitos municípios da Região Amazônica. O manejo sustentável, atua para a manutenção dessa atividade em longo prazo.

O manejo florestal é provavelmente a atividade de uso da terra mais fiscalizada e monitorada. Cada árvore passível de manejo é localizada no terreno em mapa que informa suas coordenadas, com dados botânicos e com suas dimensões aferidas.

O manejo de florestas naturais precisa manter, em média, 88% das árvores de uma área intacta. As normas de manejo permitem só cortar árvores com mais de 50 cm de diâmetro, ou seja apenas 12% da estrutura pode ser cortada, pois a maioria das árvores em uma floresta natural está abaixo desta classificação, mantendo a floresta praticamente intacta.

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Tags: AmazonasEmbrapa Acreextrativismoflorestas manejadasmadeiraseca

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