Uma operação de fiscalização ambiental realizada no Pará já resultou na apreensão de 7.168 metros cúbicos de madeira serrada e 5.600 toras, além da identificação de um possível esquema de extração e comercialização ilegal de madeira na região.
A ação, conduzida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vistoriou 70 madeireiras nos municípios de Senador José Porfírio, Trairão e Anapu.
Apreensão de madeira serrada

Segundo os órgãos, todas apresentaram algum tipo de irregularidade, como funcionamento sem licença, falta de documentação ou ausência de comprovação da origem da madeira armazenada.
Durante a operação, os fiscais também apreenderam máquinas e veículos usados nas atividades, incluindo quatro pás carregadeiras, um caminhão bitrem, um rebocador e uma balsa. As equipes localizaram ainda 11 pátios irregulares de armazenamento e demoliram quatro serrarias clandestinas.
Em sobrevoo na região de Porto Moz, uma balsa foi flagrada transportando 770 m³ de madeira em toras sem origem comprovada. Já em Medicilândia, dentro do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Ademir Fredericce, foram identificadas 2.100 toras extraídas ilegalmente. Outras 3 mil toras foram encontradas em áreas abertas usadas para armazenamento em Senador José Porfírio.
Fraudes em autorizações de desmatamento

As fiscalizações também identificaram indícios de fraude no uso de autorizações de desmatamento no município de Óbidos. De acordo com a análise técnica, áreas com autorização estavam sendo utilizadas como fachada para gerar créditos florestais irregulares, que depois eram transferidos para empresas madeireiras.
Cerca de 20 mil m³ desses créditos foram bloqueados, sendo que 13 mil m³ já haviam sido repassados formalmente a empresas em Trairão. Pelo menos 16 empresas que receberam créditos suspeitos estão sob investigação.
A apuração aponta para a possível atuação de uma organização voltada à extração ilegal de madeira, inclusive em áreas protegidas, seguida da tentativa de legalização do material por meio de créditos virtuais no sistema florestal.
Parte da madeira apreendida foi destinada a órgãos públicos e instituições. O material sem possibilidade de reaproveitamento foi destruído para evitar que retornasse ao mercado ilegal. As empresas fiscalizadas permanecerão interditadas até que regularizem a situação, embora as multas aplicadas continuem válidas.
Durante uma vistoria em uma madeireira em Anapu, no dia 4 de março, um empresário também foi preso após tentar subornar um fiscal ambiental. A equipe havia solicitado previamente documentos que comprovassem a origem da madeira armazenada no pátio da empresa, mas o prazo para apresentação já havia vencido.
Na inspeção, os agentes encontraram cerca de 2.200 toras, muitas sem identificação. Ao perceber que seria autuado, o proprietário ofereceu R$ 100 mil para evitar a multa.







