O confinamento de gado em Mato Grosso deve registrar forte crescimento em 2026, com projeção de alcançar 1,44 milhão de cabeças, segundo o primeiro levantamento divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).
O volume previsto representa avanço de 55,39% em relação ao registrado no ano passado, consolidando o estado entre os principais polos da pecuária intensiva no País.
Os dados foram coletados em abril e indicam que a expansão da atividade será puxada, principalmente, pelos confinamentos de grande porte. As estruturas com capacidade acima de 5 mil cabeças devem concentrar cerca de 80,9% de todo o gado confinado previsto para este ano, o equivalente a aproximadamente 1,17 milhão de animais.
Confinamento de gado

Entre as regiões do estado, o Oeste mato-grossense aparece na liderança da intenção de confinamento, com estimativa de 407,9 mil cabeças, crescimento de 50% frente ao ano anterior.
Na sequência estão as regiões Norte, com 333,4 mil animais, Sudeste, com 192,5 mil, Nordeste, com 153,4 mil, Centro-Sul, com 143,5 mil, Médio-Norte, com 134,5 mil, e Noroeste, com 78,1 mil cabeças.
Mesmo diante dos preços elevados do boi gordo, o levantamento aponta que os pecuaristas intensificaram o uso de mecanismos de proteção de preços em 2026. A medida demonstra maior cautela do setor diante das incertezas econômicas e do cenário geopolítico internacional.
Outro fator destacado pelo Imea é a melhora na relação de troca entre boi gordo e milho. O custo médio da diária confinada recuou levemente, passando de R$ 13,15 para R$ 13,05 por cabeça ao dia, reflexo principalmente da queda no preço do milho no estado.
Apesar disso, os custos operacionais seguem pressionados pelo aumento das despesas com frete e diesel, fatores que continuam impactando diretamente a rentabilidade da atividade.

O levantamento também mostra diferenças no desempenho entre os perfis de confinamento. Enquanto as unidades de grande porte devem crescer 21,83% em comparação com 2025, os confinamentos menores, especialmente aqueles com capacidade para até mil cabeças, tendem a recuar 4,58%, em razão da maior dificuldade para absorver os custos elevados de reposição animal.
O setor ainda demonstra preocupação com a oferta de bezerros no mercado. Segundo o estudo, o elevado abate de fêmeas registrado nos últimos ciclos pecuários reduziu a disponibilidade de animais para reposição, cenário que mantém os preços em níveis elevados.
Para o segundo semestre, a expectativa é de que o confinamento desempenhe papel fundamental no abastecimento da indústria frigorífica durante a entressafra. A projeção indica que 82,6% dos animais confinados deverão ser enviados para abate entre julho e dezembro, período em que a redução da qualidade das pastagens aumenta a importância do sistema intensivo de engorda.







