O agronegócio em Goiás apresenta potencial para retirar da atmosfera até cinco toneladas de dióxido de carbono (CO₂) a cada tonelada de grãos produzida.
A estimativa faz parte dos resultados iniciais de um estudo desenvolvido pelo programa Goiás Verde, iniciativa do Governo de Goiás por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com o Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (Ceagre).
Agronegócio em Goiás

A pesquisa reúne dados de solo, plantas, atmosfera e emissão de gases, analisados por uma equipe multidisciplinar formada por cerca de 34 integrantes, incluindo 15 doutores.
O trabalho combina conhecimentos de ciências agrárias, geotecnologias e computação, com uso de inteligência artificial, como técnicas de machine learning e deep learning, para modelagem e interpretação das informações.
Ainda em fase inicial, o projeto passou a contar com duas torres de fluxo equipadas com 16 sensores, capazes de medir em tempo real a troca de carbono e água entre solo, planta e atmosfera. A tecnologia permite monitorar com precisão o comportamento das lavouras e gerar dados inéditos sobre o balanço de gases no ambiente agrícola.
Além das medições em campo, o estudo integra imagens de satélites, como Landsat e Sentinel, além de drones, ampliando a capacidade de análise e acompanhamento das áreas monitoradas.

A iniciativa busca transformar práticas agrícolas sustentáveis em indicadores mensuráveis, permitindo que produtores comprovem a adoção de técnicas de baixo carbono, como agricultura regenerativa e uso de bioinsumos. A expectativa é que isso facilite o acesso a mercados internacionais e a incentivos financeiros ligados à sustentabilidade.
Segundo um dos participantes do projeto, o campo reúne condições favoráveis para demonstrar o potencial da agricultura brasileira na captura de carbono. O estudo é realizado em 11 propriedades rurais nos municípios de Cristalina e Rio Verde, com foco na medição de gases de efeito estufa, especialmente o CO₂.
Com investimento de cerca de R$ 4 milhões do governo estadual, a pesquisa está em andamento há aproximadamente um ano e já resultou na coleta de 2,4 mil amostras de solo em 400 pontos diferentes, consolidando uma base de dados relevante para o avanço das práticas agroambientais no estado.







