O volume de crédito rural contratado em Goiás somou R$ 5,049 bilhões entre julho e setembro de 2026, nos três primeiros meses do Plano Safra 2026/27.
O montante representa uma queda de 42,18% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando os desembolsos alcançaram R$ 8,733 bilhões. Os dados são da Matriz de Dados do Crédito Rural do Banco Central, atualizada em 9 de outubro, e desconsideram as operações com Cédulas de Produto Rural (CPR).
Crédito rural contratado em Goiás

A redução também aparece no número de financiamentos formalizados. No período, foram registrados 9.845 contratos em Goiás, contra 14.004 nos três primeiros meses da safra passada, recuo de 29,7%. O valor médio por operação caiu de aproximadamente R$ 1,41 milhão para R$ 1,15 milhão, uma diminuição de 18,58%.
Entre as categorias de produtores, a maior retração no volume contratado foi registrada na agricultura empresarial, considerando os produtores que não se enquadram no Pronaf ou no Pronamp. Nesse grupo, os desembolsos passaram de R$ 6,41 bilhões para R$ 3,52 bilhões, redução de cerca de 45,15%. O número de contratos recuou 46,52%, de 4.871 para 2.605.
No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), os recursos diminuíram 37,3%, de R$ 1,91 bilhão para R$ 1,20 bilhão. A quantidade de operações caiu 40,57%, passando de 4.129 para 2.454.
Já o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) apresentou a menor queda no volume financeiro entre as três categorias. Os desembolsos recuaram 18,72%, de R$ 413,7 milhões para R$ 336,3 milhões. O número de contratos passou de 5.004 para 4.786, redução de 4,36%.
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Custeio concentra queda dos financiamentos
A retração do crédito também atingiu as diferentes finalidades dos financiamentos rurais. O custeio, destinado a despesas necessárias à condução das atividades agrícolas e pecuárias, registrou a maior participação no volume contratado, com R$ 3,19 bilhões entre julho e setembro. Apesar disso, o valor ficou 45,16% abaixo dos R$ 5,81 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
Os investimentos, utilizados para financiar melhorias e ampliar a estrutura produtiva das propriedades, também tiveram redução. Os desembolsos passaram de R$ 1,45 bilhão para R$ 908,7 milhões, queda de 37,48%. O número de contratos nessa modalidade diminuiu 11,47%, de 4.203 para 3.721.
Na industrialização, o recuo foi ainda mais acentuado. Os valores contratados caíram de R$ 898,2 milhões para R$ 107,5 milhões, uma redução de 88,03%. As operações passaram de 26 para sete no período analisado.
A comercialização foi a única finalidade que apresentou crescimento no volume financeiro. Os recursos aumentaram 48,14%, passando de R$ 571,6 milhões para R$ 846,8 milhões. Apesar da alta, o número de contratos caiu de 160 para 15. Com isso, o valor médio por operação subiu de aproximadamente R$ 6,89 milhões para R$ 56,45 milhões, indicando uma concentração dos recursos em um número menor de financiamentos.
Operações com dificuldades de pagamento somam R$ 21,7 bilhões

O cenário de redução das novas contratações ocorre em meio ao aumento das operações de crédito rural com algum tipo de dificuldade de pagamento ou alteração contratual. Em agosto de 2026, a carteira ativa de financiamento rural em Goiás totalizava R$ 78,84 bilhões.
Desse total, R$ 57,09 bilhões, equivalentes a 72,4% da carteira, correspondiam a operações classificadas como em curso normal. Os outros R$ 21,75 bilhões, ou 27,6%, estavam na categoria de saldo problemático, que reúne operações renegociadas, inadimplentes, com parcelas em atraso ou prorrogadas antes do vencimento.
As operações renegociadas representavam R$ 10,83 bilhões do saldo problemático. Outros R$ 6,98 bilhões correspondiam a financiamentos inadimplentes há mais de 90 dias, enquanto R$ 2,22 bilhões estavam relacionados a parcelas vencidas entre 15 e 90 dias. As operações prorrogadas antes do vencimento somavam R$ 1,72 bilhão.
A classificação como saldo problemático não significa, necessariamente, inadimplência em todos os casos, já que também inclui contratos renegociados ou prorrogados. Ainda assim, o volume dessas operações pode influenciar a avaliação de risco feita pelas instituições financeiras e tornar mais restritivas as condições para a concessão de novos financiamentos.
Entre os fatores apontados para a redução das contratações está justamente o aumento do saldo de operações com dificuldades de pagamento. Com maior exposição ao risco, os bancos podem exigir mais garantias e adotar critérios mais rigorosos para liberar recursos.







